O Nascimento da Camila 15.10.2024 (Pais Sofia & Álvaro)

A minha gravidez foi a fase mais feliz da minha vida. Não conseguia identificar-me com tudo o que de negativo se dizia sobre esta fase, para mim era tudo mágico. Só no final comecei a sentir vontade que terminasse, por ansiedade de ver a minha filha e aquele desconforto típico do final da gravidez.

 

Os médicos sempre me colocaram um rótulo de paciente de risco, por causa de um suposto hemangioma uterino que até hoje não se confirma se de facto é um hemangioma. Colocaram em causa que eu conseguisse levar uma gravidez até ao fim, e que o meu parto fosse bem sucedido.

Ouvi de tudo por parte da classe médica, alguns profissionais mais empáticos e que me transmitiam confiança de que o meu corpo era capaz, outros com nenhuma empatia. Cheguei a ouvir que ia ser uma “batata quente” nas mãos dos profissionais se engravidasse, que ninguém me iria querer seguir.

Já grávida e quase a parir, ouvi que o cenário para mim poderia ser catastrófico, que poderia morrer, e que o meu útero era um terreno “hostil” para a minha filha. Como é que não se tem em conta as consequências deste tipo de comentários no estado emocional da mãe e, consequentemente, na gravidez? Em meio a tudo isto, e apesar de ver a mancha nos exames, estranhamente não me sentia “doente”, não me conseguia identificar com tudo aquilo que me era dito, e, apesar da insensibilidade como me era comunicado por parte de alguns profissionais, sinto que fiz um bom trabalho em confiar sempre que iria conseguir dar à luz a minha filha em segurança.

Desde o momento que soube que estava grávida que tive uma intuição muito forte de que tudo iria correr bem, tanto na gravidez como no parto, nunca tinha tido uma intuição assim tão forte como aquela. Para além disso, a vontade de ter um parto em casa era muita, e já era uma vontade antiga, mesmo antes de engravidar.

Encontrei a Sónia e a Razão D’Ser no Birthadvisor e imediatamente quis marcar uma consulta, apesar de não ter muita esperança que a Sónia aceitasse assistir ao meu parto. Falei com o meu companheiro e fomos. Adorei a abordagem da Sónia desde o início, uma pessoa que tem tanto de racional como de intuitiva, e um conhecimento profundo e notório na sua área de especialização.

Continuei a ser seguida pela Sónia durante a gravidez e combinamos ir indo e analisando como corriam as coisas, o que me deixou muito feliz. Dependendo da minha saúde e da minha bebé e de como os eventos decorressem, poderia ter um acompanhamento só até ir para o Hospital, ou manter o parto domiciliar. Tanto a minha saúde como a da Camila estiveram sempre muito bem, o que me tranquilizava muito.

Até que chegou o dia. A 14 de Outubro, às 39+5 semanas, pelas 2h da manhã, começaram as contrações. Estava constantemente no wc, não dormi nada, nem o meu companheiro. Já de manhã comecei a monitorar as contrações e falei com a Sónia. 

A manhã foi correndo…chegou a Sónia, a sua colega também enfermeira especialista e a Rosa (fotógrafa) e o parto foi-se desenrolando, com muita dor durante as contrações, mas sempre a conseguir gerir.

Entretanto pela hora de jantar pedi à Sónia para avaliar a minha dilatação, e estava com 9 cm, mas o trabalho de parto deixou de avançar e as contrações abrandaram.

A noite passou, sempre com contrações mas mais leves, e nada do trabalho de parto avançar para o expulsivo.

Eu e o Álvaro íamos dormitando entre contrações, o que ajudou a descansar.

Já no outro dia de manhã, com mais de 24h desde o inicio do trabalho de parto, senti-me a perder a esperança, não sabia o que se passava, o meu corpo não estava a querer avançar. A possibilidade de ir para o hospital assombrava-me, queria continuar no meu ninho, onde me sentia tão bem. Abordamos essa possibilidade e decidimos tentar só mais um pouco. Não havia risco, o bebé estava bem e a bolsa intacta, o que me permitiu poder esperar.

Entretanto veio a Thay, com energias renovadas e uma lufada de esperança que nós já não tínhamos, devido a todo o cansaço envolvido.

A Thay foi uma verdadeira coach, levou a minha mente para onde precisava de ir e as contrações começaram numa cadencia mais intensa e mais forte.

Pensava na minha filha, falava com ela, pensava na força da natureza que a trouxe até dentro de mim. Comecei a fazer força e a bolsa rompeu-se. Assim que senti aquele líquido quente a espalhar-se pelo colchão, fiquei numa felicidade imensa, assim como todos à minha volta. A partir dali já não duvidei.

Seguiram-se algumas horas de expulsivo e a Camila nasceu, finalmente, às 17h38 do dia 15 de Outubro, no nosso quarto, no nosso lar, com todo o amor e segurança, como eu sonhei. Sem hemorragias, sem cenários catastróficos, apenas saúde e tranquilidade.

Obrigada à Vida, ao Álvaro, à minha filha Camila, Sónia, Thay, Ana Carolina, e Rosa, por me terem concedido a graça de um parto maravilhoso.

Por fim, agradeço à minha intuição, a verdadeira impulsionadora desta jornada. Por nunca se calar e sempre me guiar, foi ela que me deu, antes de tudo, a força e a confiança para seguir o sonho de um parto amoroso e seguro, no meu lar.

Quer saber mais sobre Acompanhamento Contínuo Por Parteira, Parto no Domicílio e/ou Parto na água, marque consulta vigilância e aconselhamento pré-natal.

Fotos: Magicfotografia.pt